
FAQ
Este material foi elaborado pela
GEPEC para distribuição à imprensa na ocasião do lançamento do filme
"Vozes do Além", ao qual o grupo teve a oportunidade de participar
como Assessoria Técnica na divulgação do filme no Brasil
Tema: TCI - Transcomunicação
Instrumental
(1) O que é EVP?
EVP é a sigla inglesa para Electronic Voice Phenomena, fenômeno de captação de
vozes de fontes desconhecidas através de aparelhos eletrônicos (originalmente
rádios e gravadores).
(2) E a captação de imagens?
Perante outras formas de captação convencionou-se adotar a nomenclatura TCI (ou
ITC em inglês) - Transcomunicação Instrumental - criada na década de 1980 pelo
Prof. Ernest Senkoswki. O termo EVP ficou sendo utilizado simplesmente para
vozes.
(3) Essas fontes desconhecidas podem ter outra origem que não seja
espíritos?
Podem. Todas as possibilidades devem ser levantadas pelos pesquisadores, desde
causas físicas até psíquicas sem conexão com entidades espirituais. Entendemos,
entretanto, que, igualmente, os pesquisadores devem considerar, com igual
respeito e isenção, a hipótese da comunicação dos Espíritos. Nem o aceite
incondicional nem a negativa sistemática combinam com o verdadeiro espírito de
investigação.
(4) E o que há a favor da hipótese da comunicação dos mortos?
Em primeiro lugar, o Espiritismo nos traz subsídio filosófico suficiente para
considerar a hipótese possível, ou seja, ela não choca, de forma alguma, a
nossa razão. A isso se soma que o reconhecimento das personalidades tem sido
feito por centenas de pessoas ao redor do mundo em fenômenos de TCI e alguns
estudos ainda preliminares detectaram traços de semelhança entre os espectros
de voz da personalidade viva e "morta". Por fim, convém que escutemos
também os comunicantes, que afirmam ser Espíritos: eles buscam mostrar sua
individualidade e sua identidade. A hipótese da comunicação dos espíritos,
portanto, é real.
(5) Poderiam fazer um breve histórico da TCI?
A busca do contato com os mortos por meio de aparelhos eletrônicos é muito
antiga. Registros mostram Augusto de Oliveira Cambraia, no Brasil, em 1909,
registrando a patente de seu invento, o Telégrafo Vocativo Cambraia, com a
finalidade de "obter da falange de Espíritos a correspondência para o
engrandecimento moral e espiritual do Planeta Terra". No ano seguinte, o
padre Roberto Landell de Moura, o inventor do rádio, era visto andando com uma
caixinha que lhe falava em italiano. Em 1991 os físicos holandeses Matla e
Zaalberg Van Zelst fabricam um aparelho pneumático chamado
demistógrafo especificamente para esse fim. O grande inventor Thomas Alva
Edison, como mostra o filme, em 1920 dá uma entrevista à revista Scientific
American, afirmando sua tendência pessoal em acreditar na hipótese da
comunicação dos mortos dizendo: "Eu me inclino para acreditar que essa
personalidade será capaz de afetar um aparelho". Em 1925, Oscar D'Argonell
publica um livro onde relata os primeiros contatos através do telefone. No ano
de 1935, o norte-americano Attila von Szalay consegue bons resultados usando um
novo aparelho e tem seus resultados publicados em 1959 na American Society for
Psychical Research. O italiano Marcelo Bacci (que até hoje está em atividade),
em 1949, começa a fazer experimentos utilizando rádio a válvulas.
Apesar de tudo isso, a TCI, no sentido como é conhecida hoje, começou realmente
com o sueco Friedrich Jürgenson. Em 1959, ele recebeu em seu gravador vozes com
mensagens inteligentes enquanto gravava o canto dos pássaros. Jürgenson chegou
a ser condecorado, por suas pesquisas, pelo Papa Paulo VI.
O pesquisador que mais reuniu vozes gravadas por EVP foi, entretanto, o
psicólogo Konstantin Raudive. Em 1968, na Letônia, ele chegou à marca de 72.000
frases gravadas. Depois de tanta pesquisa e pela multiplicidade de provas que
obteve, Raudive concluiu que os seres comunicantes são os mortos de outrora.
Não obstante, foi o engenheiro norte-americano George William Meek que,
nas décadas de 1970 e 1980, mais investiu tempo e dinheiro no desenvolvimento
de um aparelho específico para a TCI: o Spiricom, com o qual obteve resultados
muito bons e audíveis. Meek também obteve importantes gravações por telefone
com Konstantin Raudive, já morto nessa época.
As primeiras imagens em vídeo surgiram com Klaus Schreiber, em 1985. Ele
inventou o aparelho Vidicom usando um princípio conhecido de realimentação da
eletrônica com uma câmera em frente a um televisor fora de sintonia.
Até os dias atuais, essas foram as grandes contribuições no ramo da TCI.
(6) O que se faz hoje em pesquisa de TCI?
Em termos de experimentação faz-se muito, mas em termos de pesquisa nem tanto.
A pesquisa envolve a experimentação, mas não se limita a ela. Alcança os
limites do pensamento, da filosofia, do debate, das hipóteses, do método.
Nesse sentido, desde George Meek muito pouco se tem feito no mundo
inteiro.
No campo da experimentação, entretanto, temos muitos resultados interessantes,
em forma de áudio (gravadores, rádio, telefone), imagens (fotografias,
computador) e vídeos, utilizando-se várias técnicas.
(7) Quais são os locais no mundo em que se faz experimentações em TCI?
Temos notícias de grupos na Alemanha, na Itália, nos Estados Unidos, na
Inglaterra, na Suécia, e, obviamente, no Brasil.
(8) Em que os brasileiros se diferenciam dos demais grupos de pesquisa?
Em termos técnicos não muito - os meios utilizados são simples e amplamente
disponíveis -, mas em termos filosóficos bastante. Embora o Espiritismo esteja
em amplo crescimento em todo o mundo, o cunho pacifista, amistoso e - por que
não? - religioso do povo brasileiro criou aqui um celeiro de fenomenologias e
estudos espíritas muito forte. Esse celeiro contribuiu para a formação de
grupos que se interessam não só pelo aspecto tecnológico, mas filosófico do
fenômeno da TCI, tendo, também, embasamento para entendê-lo e, por outro lado,
melhor agir para seu aperfeiçoamento.
(9) Que tipo de metodologia deve ser utilizada na experimentação de TCI?
A pesquisa séria sempre passa por equipe capacitada: tecnicamente pela formação
acadêmica sólida da equipe técnica (engenheiros e técnicos), experimentada no
método científico de pesquisa, filosoficamente pelo constante interesse em
assuntos psíquicos, com especial atenção aos relatos de comunicações com os Espíritos
e psiquicamente harmonizados entre si e preparados com sobriedade e disciplina
para a investigação dos fenômenos.
A mente do pesquisador não deve guardar prevenções de qualquer tipo, a fim de
evitar interpretações errôneas. Os resultados devem ser compartilhados com todo
o grupo e com as comunidades afins. Os experimentos devem seguir todo o rigor
técnico possível, sob a supervisão direta de pelo menos um profissional da
área. Os resultados devem ser arquivados. Caso haja disponibilidade, pode-se
lançar mão das orientações mediúnicas como forma de auxiliar o processo. No
mais, a fenomenologia em si é simples, do ponto de vista tecnológico.
(10) Como se detectaria uma possível fraude em TCI?
As fraudes podem existir, como em todos os lugares onde a inteligência humana
age, sem que isso desmereça o trabalho daqueles que pesquisam seriamente. A
detecção da fraude é simples e pode ser feita de duas maneiras: a primeira é
técnica, ou seja, é possível, numa investigação técnica apurada observar-se indícios,
mais ou menos grosseiros, de fraudes; a outra é inteligente, remetendo-nos
diretamente às pesquisas do Prof. Hippolyte Denizard Rivail (mundialmente
conhecido pelo pseudônimo Allan Kardec) na França do século XIX. Rivail
analisou magistralmente a questão da comunicabilidade dos espíritos e elaborou
um método rigoroso de avaliação que inclui, entre outros, análise racional do
conteúdo da mensagem e a confirmação da identidade do comunicante. Tais
parâmetros, essencialmente científicos, permanecem válidos para os mais
diferentes processos de intercâmbio, incluindo-se aí a Transcomunicação
Instrumental.
(11) O que é o GEPEC?
O GEPEC (Grupo Espírita de Pesquisas Eletrônicas Cristófilos) é um grupo de
engenheiros, técnicos e equipe de apoio que se dedica ao estudo do fenômeno da
TCI no Rio de Janeiro. Abordando as questões do ponto de vista espírita e do
ponto de vista técnico, une esses conhecimentos e busca práticas válidas para
investigar os mais diversos tipos de comunicação através de aparelhos.
Foi fundado em 2002 e permanece até hoje se reunindo para divulgar, estudar e
experimentar a TCI, com técnicas existentes e aparelhos especialmente
planejados para esse fim.
(12) Por que engenheiros e técnicos se interessam pela TCI?
Porque somos pesquisadores e interessados pelos fatos psíquicos. Todas as
revoluções tecnológicas da humanidade foram precedidas bem antes por grupos que
ousaram quebrar os preconceitos e o status quo da época, tendo em comum o fato
de agirem sem descartar hipóteses. Buscamos seguir seu caminho.
(13) O exercício da TCI é perigoso, como mostra o filme?
Não. Entendemos que o filme "Vozes do Além" propôs-se a mostrar o
fenômeno e foi muito bem sucedido nisso. Precisava, entretanto, de uma trama,
sem a qual tornar-se-ia um documentário, válido para os pesquisadores mas menos
atraente para o público em geral.
O perigo não está na TCI nem em qualquer fenômeno de comunicação com os mortos.
O perigo está no uso irresponsável dessas potencialidades. Por isso não
recomendamos, ao contrário de muitos grupos, que se realize TCI em casa.
Uma série de conseqüências podem daí advir, como a mistificação, o auto-engano,
a atração de Espíritos brincalhões e zombeteiros que podem querer,
aproveitando-se não do meio, mas da ignorância, do misticismo e da falta de
prudência, querer se divertir às custas da pessoa. Como tudo na vida, o uso
responsável, precedido de estudo, debate, em ambiente propício, será o
principal ponto de proteção contra esses percalços possíveis.
(14) Segundo a crença espírita, Espíritos inferiores podem usar a TCI?
Sim. Da mesma forma que os espíritos (sejam inferiores ou superiores) podem se
comunicar por intermédio de médiuns. Se ambos os lados estão sintonizados na
mesma "estação psíquica", a comunicação se dá.
(15) O filme mostra vislumbres do futuro por meio da TCI. Isso é
possível?
Não conhecemos nenhum caso concreto em que isso tenha ocorrido, entretanto mais
uma vez recorremos ao Prof. Allan Kardec para afirmar que a hipótese de
premonição é plausível e a experiência demonstra isso. Alguém que está do alto
de uma montanha, argumenta Kardec em sua obra A Gênese, vê no presente o que é
futuro para quem anda na estrada, lá embaixo. A mudança de ponto de vista pode
tornar presente a outrem o que, para nós, é ainda futuro. Se pode ser visto,
pode ser mostrado, embora não vejamos qualquer utilidade nesse tipo de
manifestação.
Bibliografia:
ANDRADE, Hernani G.; "A transcomunicação através dos tempos", FE
Editora